Publicado em 10/4/2009, 10:34 am
O Espaço Cultural Sylvio Monteiro lotou na manhã desta terça-feira (07/04) para ver a “A Paixão de Cristo”. O elenco – especial – emocionou a platéia. É formado por alunos do curso de teatro do Espaço Municipal da Terceira Idade (Esmuti), que estão na faixa dos 58 aos 81 anos de idade. Dentre eles, um destaque: no papel de Jesus Cristo, uma mulher – Vera Lúcia Faria da Silva, de 66 anos. Este foi o segundo ano de apresentação da Paixão de Cristo no teatro do Espaço Sylvio Monteiro. A peça é assinada pelo professor Célio Cruel, e traz uma adaptação estilizada do relato bíblico. O elenco contagiou a platéia, unindo a todos em dois momentos, em músicas de fundo religioso integram a ação. Além de cantar junto com os atores, o público participou com entusiasmo, acenando e agitando fitas e lenços, como numa celebração religiosa.
“Eles me emocionaram muito, chorei demais”, disse a diretora do Esmuti Márcia Cid, enxugando as lágrimas. Como secretária adjunta na Secretaria Municipal de Assistência Social e Prevenção da Violência (SEMASPV), ela é responsável por todas as atividades do Esmuti, que além do teatro inclui coral (que se apresentou antes da sessão no teatro), dança, violão, artesanato, tai-chi-chuen e ioga, entre outras opções. Márcia ressalta: “Apesar de todo o preconceito que ainda cerca o idoso em nossa sociedade, eles estão aí no palco, mostrando que podem nos emocionar. Ver o resultado de um trabalho como este faz com que a gente reavalie a própria vida pessoal”, disse. Ela acrescenta que o teatro dá sentido e alegria à vida das pessoas da terceira idade.
Muito além da atuação
O professor Cruel, que ensina teatro para idosos há quase 10 anos, aponta uma vantagem extra desse trabalho. “Através dele, a gente ajuda unir a família, que vem às apresentações prestigiar o seu parente. Isso valoriza o idoso dentro de casa”, declara. E revela que seu maior prêmio é ver os resultados nas vidas de seus alunos. “É gratificante ver a alegria de cada um”, declarou.
Os atores não deixam dúvidas quanto a isso. “Tenho 73 anos de idade e graças ao teatro me sinto como se tivesse 40”, declarou Conceição, que desempenhou na peça o papel de Judas Escariotes. “O Esmuti dá vida para nós”, confirma Lenira Silva, de 72 anos. E uma vida nova, de acordo com o mecânico aposentado Armindo Sampaio da Rosa. Sem jamais ter sonhado com qualquer atividade artística antes, ele fez nesta terça-feira, aos 81 anos de idade, sua estréia em um palco. “Fiquei muito ansioso, mas foi muito bom”, disse, ainda emocionado. Sua esposa, Otília, 74 anos, também estreante, comemorou: “Com o teatro a gente vive coisas novas, troca experiências, aprende a se comunicar com o outro e ganha muito mais alegria.”